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Totus

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Entrevista com Renato Teatini

Apresento a seguir uma entrevista que fiz com Renato Teatini, aprovado em 2o lugar no último concurso do TSE, para o cargo de Técnico Judiciário e, mais recentemente, aprovado em 3o (em Brasília) para o cargo de Analista Judiciário do TRF da 1a Região. 
Conheci o Renato durante o curso de graduação em Direito, na Faculdade Processus. Logo passei a observar os seus métodos de estudo e, ao longo de inúmeras conversas que tivemos, pude identificar nele um dos melhores concurseiros que já conheci. Certamente, essa entrevista será muito proveitosa para os leitores deste blog. Sem mais delongas, vamos à entrevista. 

Renato, qual a sua idade e formação acadêmica?  

Tenho 28 anos, fiz Medicina Veterinária durante 4 anos na Unb,mas larguei o curso e formei em Direito na faculdade Processus.
 
Qual cargo você ocupa atualmente e por quais órgãos públicos você já passou?

Atualmente estou trabalhando como Analista Judiciário, Área Jurídica no Tribunal Regional Federal. Trabalhei durante 4 anos no Tribunal Superior Eleitoral, como Técnico Judiciário. 

Como foi seu rendimento nos ensinos fundamental e médio?

Eu estudei no Sigma, que é um colégio de muita qualidade, e, por isso mesmo, muito puxado. Eu nunca fui de tirar notas boas no colégio. Na verdade, peguei três recuperações, durante os 7 anos que estudei no Sigma. Mas vi que, mesmo com um rendimento ruim no Sigma, eu tinha uma bagagem muito boa para passar no vestibular da UnB.

Por que você se interessou pelos concursos públicos?

Quando larguei a Veterinária na UnB, não sabia que curso fazer. Portanto, comecei a estudar para concursos e, a partir daí, me interessei pela faculdade de Direito.

O que motiva você a estudar?

Crescimento profissional, trabalhar no que gosta e a boa remuneração que alguns concursos oferecem.

É necessário ter uma boa base para encarar os concursos públicos? No caso de existirem problemas na formação básica, o que o concurseiro pode fazer para contornar essa situação?

Uma boa base com certeza ajuda para a realização de concursos públicos. Porém, o fator determinante para a aprovação não é sua base escolar, mas sim seu empenho e uma boa técnica de estudos para concursos.

Você se considera mais esforçado ou mais inteligente?

Eu me considero mais esforçado. Hoje em dia tenho muita facilidade para resolver as questões de concursos, mas não porque sou mais inteligente, e sim porque já as resolvi muitas vezes (Constitucional, por exemplo, devo ter resolvido umas 2000 questoes só de concursos). Sempre usei o superprovas para a realização de questões de concursos, pois ele tem vários filtros de muito legais, como, por exemplo, um filtro de questões por tema dentro de uma matéria, filtro por banca examinadora etc. Mas recentemente descobri o site "questões de concursos", que, além desses filtros, tem as respostas que outros usuários colocam. Bem interessante.
 
Qual a sua opinião a respeito dos cursinhos preparatórios? Você chegou a fazer algum (não precisa citar os nomes dos cursos)?
 
Cheguei a fazer um cursinho apenas, mas hoje em dia, só assisto às video-aulas, pois vc não precisa sair de casa, economiza tempo, a aula não é interrompida nunca, e você ainda pode assistir às aulas em uma velocidade maior, ganhando mais tempo ainda.
 
Quantas horas de estudo diárias você entende que seriam necessárias para começar a brigar por vagas, por exemplo, no Judiciário?
 
A partir de 4 horas diárias e quando chegar pelo menos 2 semanas antes da prova, umas 8 horas diárias. Aumentar a carga de estudos quanto mais perto da prova é fundamental. por isso, quem puder é claro, recomendo tirar férias do serviço para estudar. 
 
Qual a melhor estratégia para estudar as disciplinas do direito? 
 
A melhor estratégia para mim é sempre ler uns livros próprios de concursos (nada de doutrina pesada!!!), que são resumidos, mas apresentam tudo que pode cair em concursos. Estar sempre lendo a legislação seca e fazendo muito exercícios a todo o tempo.Para quem já leu a doutrina e tem um conhecimento das matérias, ficar estudando praticamente só legislação seca com exercícios. 
 
O TSE acabou de lançar edital. A maioria dos concurseiros, principalmente quando se trata de carreiras "genéricas", foca seus estudos em direito constitucional e administrativo. Pouco se estuda direito eleitoral para outros concursos além dos órgãos da Justiça Eleitoral. Quais dicas você daria para quem vai começar a estudar essa matéria agora? E quais outras dicas você daria para quem vai fazer o concurso do TSE? 
 
Recomendo um cursinho específico de direito eleitoral para a pessoa se ambientar com a matéria e saber como estudá-la. Particularmente prefiro muito mais as video-aulas. Além da vídeo-aula, estudar legislação seca e fazer exercícios, como para todas as matérias de direito.
 
Você acabou de ingressar no TRF, em cargo de analista, conte-nos um pouco sobre a experiência desse concurso...

Estudei forte durante um mês, e já possuía uma base boa para concursos. Foquei principalmente nas leis e nos exercícios. Para se ter uma ideia, cerca de 80 por cento das questões específicas eu já havia resolvido no superprovas, simplesmente porque fiz todas as questões da fcc por várias vezes. Das 40 questões específicas, acertei 39, e só errei uma porque a fcc mudou seu entendimento em uma questão que ela já havia feito e colocado o gabarito que eu marquei nesta.

Até pouco tempo atrás, você era servidor do TSE. Como é o trabalho e o ambiente no órgão?

O ambiente de trabalho é excelente. Os servidores têm todos os recursos materiais e humanos para realizar suas funções. Não falta nada. Agora na nova sede do TSE vai ficar melhor ainda.  

Fazer uma faculdade de Direito ajuda na aprovação?

Sinceramente acho que não ajuda muito. São focos completamente diferentes.

Quais os próximos passos que você pretende dar?

Vou estudar para o Senado, e estou fazendo pós e outras coisas para conseguir títulos para começar a estudar para concursos de cartórios.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Curso Gratuito de Processo Legislativo

O Senado Federal, por meio do Instituto Legislativo Brasileiro - ILB, oferece ao público em geral diversos cursos na modalidade de ensino à distância. Dentre eles, destaca-se o curso de Processo Legislativo, cujo conteúdo é elaborado pela Cláudia Lyra, Secretária-Geral da Mesa Diretora do Senado. Maiores informações.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Compreensão versus Memorização versus Dedicação


Três elementos essenciais para que alguém consiga ser aprovado num concurso público são a compreensão e a memorização dos conteúdos estudados e a dedicação.

Tem gente que consegue compreender muito facilmente as coisas. São pessoas com raciocínio lógico aguçado. Elas recebem as informações e conseguem processá-las rapidamente. Outras pessoas, apesar de alguma dificuldade em compreender as coisas, conseguem memorizar com facilidade o que aprenderam. 

Quanto mais nos esforçamos para compreender, com mais facilidade conseguimos memorizar o que estudamos. Uma observação é que nem sempre vale a pena compreender. Principalmente nas disciplinas jurídicas, muitas regras são meras convenções. Ou seja, são o que são porque são. Não têm uma razão de ser. Por exemplo, não é possível compreender o porquê de um prazo ser de 15 dias e não de 20. É porque é. Embora eu entenda ser um absurdo as provas valorizarem as convenções, o fato é que boa parte do que cai em concursos públicos exige mais memorização que compreensão. Depende da banca, claro. Também nem todas as questões são deste tipo. Mas elas são em quantidade suficiente para fazer muita diferença nos resultados.

Recentemente, recebi um folder que propagava uma palestra sobre como preparar-se para concursos públicos. Não lembro bem as palavras exatas, mas dizia mais ou menos assim: “você acha que uma pessoa que passa seus dias estudando numa biblioteca vai ser aprovado em um concurso público? Claro que não!” Com todo respeito ao profissional que ministra tal palestra, eu não conheço uma pessoa que passe em concurso público sem dedicação. Há carreiras que, por estarem desvalorizadas, atraem concorrência pouco qualificada e, assim, a pessoa acaba passando por conta das experiências de vida e acadêmica. Entretanto, concursos de alto nível exigem preparação forte, mesmo daqueles que são muito inteligentes e têm excelente formação.

Na minha opinião, a melhor aproximação para medir a dedicação de alguém é a quantidade de horas de estudo. Não é um critério muito bom para comparar pessoas. Mas para distribuir o próprio tempo de estudo, por exemplo, funciona muito bem.

Como tenho procurado demonstrar nas minhas postagens, o grande desafio do concurseiro é otimizar o seu tempo de estudo. Com método, é possível melhorar muito o aproveitamento do tempo. Mas ainda assim, é preciso dedicar-se.

Até para dedicar-se é preciso ter estratégia. O concurso público, embora seja o processo mais republicano e democrático para o preenchimento de cargos públicos, é um tanto quanto desumano. Milhares de pessoas concorrem a poucas vagas. Então, sempre haverá meia dúzia de aprovados e milhares de reprovados. Muitas vezes quem entra nessa mundo fica desesperado e, na ansiedade por disputar as vagas, acaba ultrapassando os próprios limites, o que pode desencadear até mesmo distúrbios psicológicos.

Em outra postagem, já falei um pouco sobre os prazos na preparação. Aos que ainda não leram o texto, recomendo que o façam agora.
 
O gráfico abaixo ilustra a relação entre as variáveis dedicação e tempo na preparação para concursos públicos.
 
As duas curvas acima representam estratégias que, a depender do perfil de cada um, são eficientes. A curva C1 é ideal para aquelas pessoas que têm um pouco mais de dificuldade de compreensão, mas conseguem memorizar com facilidade. Note que elas precisam ser mais um pouco mais intensas no longo prazo. 

A curva C2 é mais indicada para aquelas pessoas que compreendem com muita facilidade, mas têm dificuldade de memorização. Por isso, o maior esforço no curto prazo. Na data da prova será mais fácil lembrar o que foi estudado no curto prazo.

Meu perfil se encaixa mais na curva C2. Não consigo me dedicar muito no longo prazo, embora sempre esteja estudando alguma coisa. À medida que a prova vai se aproximando, intensifico o meu estudo, até chegar ao nível de 9 ou 10 horas diárias. Normalmente tiro férias nesses períodos. Vale a pena. Dependendo do concurso, não descartaria nem mesmo a possibilidade de pedir licença sem remuneração. 

Quando fui aprovado para Analista de Controle Externo no TCU (atual Auditor Federal de Controle Externo) estudei 360 horas nas 5 semanas anteriores à prova. Distribuí o tempo de acordo com os critérios que tenho exposto neste blog.

Agora vou falar de estratégias que não são eficientes.  Veja o gráfico seguinte:
 
Observe que no caso da curva C1, o candidato começa os estudos com muito vigor, mas depois esmorece. Já no caso da curva C2, o candidato atinge seu ápice de dedicação ainda no médio prazo, diminuindo muito o ritmo no curto prazo. Na minha humilde opinião, nos dois casos, o candidato estaria cometendo um grande erro. Concurso público assemelha-se a competições esportivas. O competidor deve atingir seu ápice na data da prova. É esse o momento em que deve estar mais preparado. Uma semana antes ou uma semana depois não interessam.  

Agora vamos inserir no modelo as variáveis compreensão e memorização. No longo prazo é mais importante compreender o que se estuda. No curto prazo, entretanto, o candidato deve procurar memorizar os conteúdos já estudados. O curto prazo não é o momento ideal para aprender. É o momento ideal para revisar. E quanto mais próxima estiver a prova, mais deve-se buscar a memorização.  Os gráficos seguintes ilustram as duas estratégias mais recomendáveis e como devem ser distribuídos os esforços de memorização e compreensão. 
 


O meu maior objetivo aqui neste blog é provocar a sua reflexão para que você encontre o seu próprio método. Não espero que ninguém veja nas minhas dicas receitas de bolo, que devem ser seguidas à risca. Avalie tudo que você está lendo e aproveite o que achar relevante.

 

domingo, 20 de novembro de 2011

Quantas matérias devem ser estudadas por dia

Algumas pessoas têm me enviado emails perguntando quantas matérias devem ser estudadas por dia. A resposta é simples: depende!

Em primeiro lugar, é preciso registrar que alguns não suportam estudar uma mesma matéria por muitas horas seguidas. Há outros que, ao contrário, não suportam estudar várias matérias ao mesmo tempo, reservando períodos menores para cada uma delas. Para quem está nos extremos, não há muito o que fazer senão seguir a natureza. 
Entretanto, para aqueles que conseguem estudar das duas formas, há uma estratégia que me parece mais eficiente. 

É importante considerar também o que seriam longo, médio e curto prazos em concursos públicos. Para mim, estamos no longo prazo quando não previsão de edital. Estamos no médio prazo quando surgem fortes boatos de que o concurso será realizado ou quando já está autorizado. O curto prazo inicia-se no lançamento do edital. Veja a ilustração:



A preocupação com a distribuição do tempo deve ser maior no curto prazo. No longo prazo, até para que o concursando não se submeta a uma pressão muito grande, deve-se ter maior liberdade na utilização do tempo.

Voltando à questão que motivou esta postagem, entendo que no longo prazo, é melhor estudar uma ou poucas matérias de cada vez. Particularmente, mesmo no longo prazo, gosto de estudar pelo menos umas 3 ou 4 matérias todos os dias. A vantagem de estudar poucas matérias é que não perdemos o fio da meada.

Entretanto, quanto mais se aproxima o curto prazo, entendo ser mais eficiente estudar todas as matérias ao mesmo tempo. Quer dizer, no mesmo dia você deve estudar tantas matérias quanto for possível. Recomendo que o tempo de fracionamento não seja inferior a 1 hora para cada matéria. A vantagem é que você chegará no dia da prova com os conteúdos mais frecos na memória. Se no curto prazo, você gastar uma semana para cada matéria, por exemplo, na data da prova talvez você já não se lembre bem dos conteúdos estududados há 5 ou 6 semanas.

O que está por detrás deste raciocínio é que no longo prazo, a preocupação maior deve ser com a compreensão do conteúdo. Quanto mais curto o prazo, maior deve ser a preocupação com a memorização. Estudar tudo ao mesmo tempo no curto prazo favorece o processo de memorização.