Totus

terça-feira, 29 de abril de 2014

Candidatos a ministro do TCU são sabatinados

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado promoveu no dia 23/04 sabatina com os candidatos ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União - TCU. Inicialmente, foi indicado para o cargo o Sen. Gim Argello. Depois de forte pressão dos servidores do TCU pela rejeição de Gim, a oposição, capitaneada pelo Sen. Rodrigo Rollemberg, apresentou o nome de Fernando Moutinho, consultor de orçamentos do Senado e ex-auditor do TCU. Gim Argello então desistiu de sua candidatura ao cargo de ministro. Como a oposição lançara técnico para o cargo, a bancada governista apressou-se e apresentou o nome de outro técnico, Bruno Dantas, também consultor do Senado, na área de processo civil. Por fim, o Solidariedade indicou Sérgio Mendes, que é auditor federal de controle externo do TCU.

Em relação a três pontos que destaco, reproduzo as respostas dos candidatos a ministro, que permitem uma boa comparação entre os três. Há técnicos que, de tão políticos, estão mais para a política que para a técnica. Acho que o melhor para o TCU é realmente o perfil técnico. Por isso, entendo que o Fernando Moutinho é a melhor alternativa. Comparem as respostas e tirem suas próprias conclusões.  

Os textos foram extraídos das notas taquigráficas ainda não revisadas. Portanto, em um ponto ou outro, podem ter alguma coisa não muito clara.

Sobre a fiscalização da OAB

Bruno Dantas – “Em primeiro lugar, a natureza jurídica da OAB é de autarquia especial, e todos nós sabemos disso, Senador Pedro Taques. A sua pergunta é sobre se ela se sujeita ao TCU. Essa primeira pergunta quem vai responder não é o indicado Bruno Dantas, mas, sim, o Supremo Tribunal Federal. O Supremo Tribunal Federal já respondeu e disse que a Ordem dos Advogados do Brasil não se sujeita ao controle do TCU. Essa decisão já transitou em julgado.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Distritais pretendem autorizar a farra dos comissionados

Os deputados distritais pretendem aprovar uma Emenda à Lei Orgânica do DF (PELO 57/2013) que, na prática, permitirá a formação dos quadros de pessoal das administrações regionais, demais órgãos e entidades da administração direta e indireta do DF com até 100% de servidores comissionados sem vínculo (não concursados).  

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Andacon apresenta Sugestão de Lei para limitar o número de comissionados

Guto Bello, Presidente da Associação Nacional dos Concurseiros - Andacon, protocolizou hoje (27/02/2014) na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa uma Sugestão de Projeto de Lei para estabelecer limites ao número de cargos em comissão na administração pública federal. A sugestão foi elaborada pelo Prof. Luciano Oliveira, ex-presidente da entidade e consultor legislativo do SenadoFederal, e contou com o apoio formal do Movimento pela Moralização dos Concursos - MMC, coordenado pelo Prof. Wilson Granjeiro. De acordo com Guto Bello, o denominado Movimento Meritocrático Brasileiro - MMB, que surgiu no facebook e mobilizou centenas de concurseiros, também exerceu um importante papel ao levantar a discussão sobre o excesso de cargos comissionados na administração pública. 

A proposta estabelece dois limites percentuais. O primeiro diz respeito à relação entre o número de cargos em comissão e o número de cargos efetivos. Assim, propõe-se que o número de comissionados não ultrapasse 20% do número de cargos efetivos nos poderes Legislativo e Judiciário, 5% no MPU, 2% no Poder Executivo e 1% no TCU. O limite deve ser observado em cada órgão ou entidade. O segundo limite determina que pelo menos 50% dos cargos em comissão devem ser preenchidos por servidores efetivos. Para citar um exemplo da gravidade do cenário atual, no Poder Legislativo, atualmente, o número de comissionados ultrapassa o número de servidores efetivos. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Curso Gratuito "Guia Prático para Aprovação em Concursos Públicos"

Ministrei o curso gratuito "Guia Prático para Aprovação em Concursos Públicos" na Asa Norte, no dia 25/01. As próximas edições acontecerão em Sobradinho, no dia 01/02, e em Taguatinga, no dia 8/02. Para fazer a inscrição, clique aqui.
Em breve serão agendados outros locais. Se você não puder participar nessas datas já agendadas, faça sua pré-inscrição (clique aqui) e você será avisado por email e SMS a respeito de outras datas.


sábado, 28 de dezembro de 2013

Curso "Guia Prático para Aprovação em Concursos Públicos"

No primeiro semestre de 2014, ministrarei gratuitamente o curso "Guia Prático para Aprovação em Concursos Públicos" em várias cidades do DF. Além do relevante serviço à sociedade e, em especial, aos concurseiros, pretendo com essa ação divulgar a Associação Nacional dos Concurseiros - Andacon e também os trabalhos que desenvolvo na área de concursos públicos. 

Dentre outros, serão tratados os seguintes temas: como estimar o conhecimento das matérias; quais critérios devem ser utilizados para distribuir o tempo de estudo; dicas para organizar o quadro semanal de estudos; como equilibrar o tempo entre revisão teórica, resolução de questões e leitura das normas; como selecionar o material de estudo; como se preparar para a prova discursiva.

Na Asa Norte, o curso foi realizado no dia dia 25 de janeiro. É provável que eu marque outra data para a região. 

A próxima cidade a receber o curso é Sobradinho, no dia 01/02. Depois, no dia 08/02, ministrarei o curso em Taguatinga. As inscrições definitivas para esses locais já estão abertas (clique aqui para fazer a inscrição).  

O formulário a seguir é para que você faça a sua pré-inscrição. A depender da demanda, marcarei outros locais. Mesmo que você faça opção por um determinado local, se o curso for marcado para outro local, você será informado e poderá fazer a inscrição definitiva. Se você fizer sua inscrição utilizando o formulário do link acima, não precisa fazer a pré-inscrição.  

Faça a sua pré-inscrição no formulário a seguir.  

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Mais amor em 2014

2014 está à porta! Eu gostaria de mandar mensagens individuais a cada um dos meus amigos e leitores do blog e aproveitar a oportunidade para atualizar o papo. Até comecei a fazer isso no Facebook. Conversei com mais de 250 pessoas. Foi muito legal. Por exemplo, um dia desses conversei com uma colega do nível médio. Ela tinha uma fotografia da nossa turma. Foi só compartilhar a imagem que apareceram vários colegas e professores. Não sei como, mas apareceram. E como foi bom saber as notícias daquelas pessoas que viveram junto comigo numa fase tão importante da minha vida. 

Entretanto, num mundo tão massificado, o Facebook desconfia, mesmo quando você envia mensagens individualizadas aos seus próprios amigos. O algoritmo do Facebook assinou minha sentença: bloqueio! Só poderia ser um robô alguém que falasse com tanta gente ao mesmo tempo. Mas não era! Era eu! Sem ressentimentos com o Facebook...

Quero pedir licença aos meus amigos que são ateus, para fazer uma consideração cristã. Quando perguntaram a Jesus quais seriam os mandamentos mais importantes, ele respondeu o seguinte: "Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: Ame o seu próximo como a si mesmo" (Mateus 22:37-39). Em um outro texto, a Bíblia ensina "Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" (1 João 4:20). 

Nestes meus dias de vida, que já não são poucos (hoje completo 13.769 dias), tenho entendido a mensagem de Jesus (esse mesmo cujo nascimento comemoramos no natal), de que o sentido da vida está em reconhecer a existência de alguém infinitamente superior, a quem chamamos de Deus, que criou tudo que há. Não falo das instituições religiosas. Refiro-me a Deus. E a segunda coisa mais importante é amar as pessoas, começando por nossas famílias, mas não se restringindo a elas. Sabe... o amor, sentimento que, assim como o da felicidade, não está em leis? O Estado não pode dar uma bolsa amor, não pode dar uma bolsa felicidade, pois há certas coisas, certos valores, que só se revelam quando estendemos as mãos uns aos outros, na perspectiva mais humana e menos institucionalizada possível. 

Acho muito interessante, no ensino bíblico, que o amor a Deus implica amor ao próximo. Mas não o contrário. Por isso, aos meus queridos amigos ateus, eu digo que ninguém pode obrigar que amem a Deus. Mas amar ao próximo, compreender que a própria existência só faz sentido quando o outro está presente, que o bem-estar próprio é melhor quando o bem-estar médio de todos os outros seres, humanos ou não, também é melhor, que estamos todos num mesmo barco, que a violência que um sofre todos nós sofremos, que a dor que um sofre todos nós devíamos sofrer, sem isso tudo, independentemente de acreditarmos ou não em Deus, não avançaremos em nada na busca por um mundo melhor e mais justo para nós e para as futuras gerações. Amar a Deus é para quem acredita em Deus. Amar ao próximo é para todos nós. 

Mudando o assunto, no mundo dos concursos públicos, como Presidente da Associação Nacional dos Concurseiros - Andacon, continuarei firme na luta por uma lei dos concursos (já conseguimos aprovação no Senado e agora o projeto tramita na Câmara) e também pela redução do número de cargos comissionados. Conto com a sua ajuda!

Enfim, com toda a sinceridade, queria abraçar a cada um ou ao menos enviar uma mensagem individual e atualizar o papo... Desejo a todos um feliz natal e um 2014 cheio de amor, que anestesia a vida. Que o Brasil da Copa seja também um país melhor para cada um de nós. Grande abraço a cada amigo e amiga!

Guto Bello
https://www.facebook.com/guto.bello

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Cotas Raciais em Concursos

A Presidente Dilma Rousseff apresentou ao Congresso Nacional projeto de lei que cria cota de 20% para negros (pretos e pardos) em concursos públicos (PL 6.738/13). Neste artigo, faço alguns comentários sobre argumentos que fundamentam o meu posicionamento contrário ao projeto. 
Meu ponto de partida são as seguintes premissas: 1) o racismo ainda existe no Brasil; 2) provoca desigualdade social; 3) não podemos admiti-lo em quaisquer de suas formas e 4) há uma dívida histórica do Estado ou do povo brasileiro para com a população negra. 
Tenho observado que os favoráveis à política das cotas raciais em concursos fundamentam-se essencialmente no problema e não demonstram o porquê da solução proposta, nem como a sua implementação poderia ser feita de forma a que não se cometam injustiças. Sempre que se pergunta a quem é favorável às cotas quais as suas razões, em suma, ele apresentará os pontos acima.
Mas será que as cotas raciais em concursos públicos provocarão a diminuição do racismo ainda existente? Será que elas resolverão o problema da desigualdade social? Será que, de fato, a dívida histórica que se alega existir será paga com essa política?
De acordo com enquete feita pela Câmara dos Deputados (http://bit.ly/184yDqs), 89% da população tem se posicionado contra a proposta (resultado em 26/11/13). Isso quer dizer que mesmo a maioria da população negra não concorda com as cotas raciais em concursos. Um projeto que tenha rejeição tão ampla, até mesmo por aqueles que seriam seus beneficiários, merece, no mínimo, a realização de um debate franco, respeitoso e corajoso pelo parlamento.
O Brasil é um país mestiço. Não há brasileiro com genética puramente européia, africana, índígena ou amarela. Adotado o critério da ascendência (ou genótipo), todo brasileiro teria direito às cotas. Adotado o critério do fenótipo (da aparência simplesmente), filhos de mesmos pais poderiam ser classificados de forma diferente, o que seria injusto. O projeto não define o critério. Seja qual for, as cotas criarão mais problemas e injustiças que benefícios.
Se há uma dívida histórica para com a população negra, toda a sociedade deve ser responsabilizada por isso e não apenas aquelas pessoas que fazem concursos. Há políticas cujos custos são arcados por toda a sociedade. Isso é o que acontece, por exemplo, quando o governo oferece bolsas de estudo a pessoas negras para que se preparem para o concurso de diplomata. Veja que toda a sociedade arca com esses custos. As cotas, entretanto, restringem direitos de um grupo pequeno (aqueles que fazem concursos e são não negros) enquanto ampliam direitos de outro grupo. 
A geração de brancos atual não pode ser responsabilizada pelo que fizeram as gerações anteriores, até porque, como os brasileiros são mestiços, não há uma linha clara que una as gerações atuais desta ou daquela cor às gerações anteriores. Em outras palavras, um branco de hoje, segundo o critério do fenótipo, pode ter ascendência negra e vice-versa.
São princípios que fundamentam o concurso público: a meritocracia, a isonomia e a eficiência do Estado. O critério racial enfraqueceria a aplicação desses princípios.
O concurso público fundamenta-se na meritocracia. A sociedade não quer profissionais desta ou daquela cor. Ela quer os melhores profissionais, independentemente de cor. Cargo público não é título de nobreza a ser distribuído de acordo com quaisquer critérios. No concurso público deve prevalecer o mérito.
O projeto é inconstitucional, pois fere o princípio da eficiência da administração pública. Se os mais bem preparados serão preteridos, é lógico que o serviço a ser prestado pelos escolhidos segundo outros critérios tende a ter qualidade inferior. A medida também é desproporcional, na medida em que não foi proposta também para os cargos em comissão. Ela também cria mais uma ressalva ao princípio da acessibilidade aos cargos públicos, quando a Constituição só prevê uma: a cota para pessoas com deficência.
Os negros já possuem cotas para ingresso no ensino superior. É de se esperar que, depois de concluída a faculdade, eles estejam tão preparados quanto os brancos. Assim, as cotas em concursos, pelo menos no que diz respeito aos cargos que exigem graduação, deixariam de ser ação afirmativa e passariam a ser privilégio para determinado grupo, o que feriria o princípio da isonomia.
A autodeclaração prevista no projeto não coaduna com os critérios objetivos que devem pautar os concursos públicos. Isso abrirá espaço para oportunistas e ampliará a judicialização dos concursos. Com efeito, muitos buscarão o judiciário e, com base no critério do genótipo, conseguirão assumir as vagas reservadas aos negros, mesmo que, pelo critério do fenótipo, não sejam negros. É o caso da pessoa branca filha de pessoa negra. É óbvio que ela tem genética de negros e isso será o suficiente para convencer muitos juízes. Digo isso porque os defensores das cotas defendem o critério do fenótipo, pois quem sofre racismo não é o branco filho de negro e sim o negro, independentemente da ascendência. As bancas vão tentar aplicar o critério do fenótipo, mas muita gente vai invocar o critério do genótipo. 
A confirmação da cor por terceiros (também prevista implicitamente no projeto) provocará a criação de tribunais raciais no país, para distinguir quem é negro de quem é branco. 
As notas de corte em concursos cujos editais não estabeleçam nota mínima (e não há lei que obrigue a que se estabeleça) poderão ser muito baixas para cotistas. Será possível que pessoas ingressem no serviço público com nota de 20% ou até muito inferiores.
De acordo com informações do Governo, em 2004, 22% dos servidores públicos federais eram negros. Em 2013, esse percentual passou a 30%. Note-se que houve uma evolução de 8% em 10 anos. Se essa tendência continuar, num espaço de 20 anos, o percentual estará muito próximo daquele se observa na população. Se a intenção é acelerar o processo, faz-se necessário maior investimento em educação, pois só assim, de fato, serão reduzidas as desigualdades sociais no Brasil.  
Até 20% das vagas já podem ser reservadas às pessoas com deficiência. Se aprovado o projeto das cotas raciais, 40% das vagas poderão ser reservadas em concursos para pessoas com deficiência e para negros. Isso é desproporcional e muito injusto. As pessoas não negras e pobres enfrentarão dificuldades ainda maiores para alcançar espaço no setor público. O projeto amplia direitos para uns e os restringe para outros.
As cotas raciais em concursos públicos em nada contribuem para a diminuição do racismo. Enquanto o estado obrigar as pessoas a assumirem esta ou aquela cor, o racismo, ao invés de ser evitado, será reavivado culturalmente. Os negros que entrarem no serviço público e os que já estão poderão sofrer discriminação pelos próprios colegas e também pelo cidadão. A pessoa negra que está no serviço público hoje sujeitou-se a concurso público da mesma forma que qualquer pessoa. Se ela sofre alguma discriminação, é discriminação meramente por conta da cor, o que será sempre um absurdo sempre. Com as cotas isso não será assim, essas pessoas além de sofrerem o racismo que porventura já exista, podem ser discriminadas porque tiveram um acesso facilitado aos cargos públicos. Esse ambiente certamente incitará ainda mais o racismo. 
Tive notícia de que o governo já está pedindo aos servidores públicos que informem suas cores no Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos - Siape. Isso é lamentável. 
As cotas raciais não resolvem e não contribuem para a redução da desigualdade social. Em primeiro lugar, há fatores tão ou mais importantes que levam à desigualdade social. Em segundo lugar, os maiores beneficiários da proposta serão os negros com maior renda. Aqueles que estudaram em boas escolas e que tiveram um bom suporte familiar.  
As cotas raciais não pagarão a suposta dívida histórica do Estado e do povo brasileiro para com a população negra. Se, como já defendemos, o racismo pode aumentar e a desigualdade social em nada será afetada, essa dívida histórica não será paga pela medida proposta. Só há uma maneira de se resolver a desigualdade social no país, seja ela decorrente de racismo ou de qualquer outra coisa: forte investimento em educação. Os defensores das cotas dirão que isso é solução de longo prazo, que precisam de algo no curto prazo. Não discordo. É preciso fazer algo no curto prazo também. Mas não como o governo está propondo. 

Guto Bello é Presidente da Associação Nacional dos Concurseiros, estatístico, advogado, Consultor Legislativo do Senado Federal e coach em concursos públicos. www.facebook.com/gutobello (61) 8173-6373

sexta-feira, 22 de novembro de 2013